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Turismo

Brasil lidera América Latina em preparação turística, mas enfrenta pressão de custos

Ranking do WEF coloca o país em 32º lugar global, impulsionado por infraestrutura e conectividade. Para a hotelaria, o desafio agora é converter volume em GOPPAR, combatendo a erosão de margens e a escassez de mão de obra qualificada no bac

Redação The Contáveis.6 min de leitura
Brasil lidera América Latina em preparação turística, mas enfrenta pressão de custos

O Brasil consolidou sua posição como o destino mais competitivo da América Latina no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. Ao ocupar a 32ª posição global, o país superou rivais regionais como Chile, México e Argentina, um avanço que reflete a recuperação estrutural da infraestrutura e da conectividade aérea. Para o setor hoteleiro brasileiro, essa classificação não é apenas um título de prestígio, mas um indicador macroeconômico que sinaliza um fluxo de demanda mais previsível e de maior valor agregado, exigindo ajustes finos na gestão financeira e operacional das propriedades.

A liderança regional do Brasil no índice é diretamente proporcional à solidez dos pilares de infraestrutura e serviços turísticos. O relatório destaca que a maioria das economias analisadas melhorou suas pontuações, com o Brasil se beneficiando de investimentos contínuos em aeroportos e redes de transporte. No entanto, a análise crítica revela uma dissonância: enquanto a capacidade de acolhimento cresce, a competitividade de preços tem se deteriorado em três quartos das economias classificadas. Isso implica que o turista brasileiro e internacional está pagando mais por cada diária, pressionando a elasticidade de demanda e, consequentemente, a estratégia de pricing dos revenue managers.

A matemática do GOPPAR sob pressão

Para o controller e o gerente financeiro, a mensagem central do WEF é que o crescimento do volume não se traduz automaticamente em lucratividade. O aumento dos preços de viagens acima da inflação geral significa que os custos operacionais, especialmente os de pessoal e insumos, estão crescendo em ritmo acelerado. Historicamente, o Brasil enfrentou ciclos de alta ocupação com margens comprimidas. Agora, o desafio é elevar o GOPPAR (Gross Operating Profit Per Available Room) sem depender exclusivamente do aumento do ADR (Average Daily Rate). Isso requer uma gestão rigorosa da eficiência energética, do desperdício e da produtividade por colaborador, áreas onde a controladoria tem papel central.

A escassez de mão de obra, citada como um desafio global no relatório, é um gargalo crítico para a hotelaria brasileira. A falta de profissionais qualificados em áreas técnicas, como manutenção, tecnologia e governança de dados, impacta diretamente a qualidade do serviço e a capacidade de oferecer experiências premium. Para o night auditor, isso se traduz em uma maior complexidade na reconciliação de contas, pois sistemas legados ou mal configurados exigem mais intervenção manual. A automação de processos financeiros e a padronização de rotinas de fechamento noturno deixam de ser luxos e passam a ser necessidades estratégicas para reduzir erros e otimizar o tempo da equipe.

O contexto setorial brasileiro mostra um mercado em transição. A retomada do turismo internacional trouxe uma mix de clientes mais diversificado, com maior peso de negócios e lazer de alto padrão. Isso exige que os hotéis ajustem suas estratégias de distribuição e canais. A dependência excessiva de OTAs (Online Travel Agencies) continua a ser um risco para a margem, especialmente quando a demanda é forte. O revenue manager deve, portanto, priorizar a venda direta e programas de fidelidade, utilizando dados de ocupação e ADR para maximizar o lucro por quarto disponível, não apenas a receita bruta.

Posições da América Latina no TTDI 2026
PaísPosição Global
Brasil32
Chile35
México41
Argentina48
Costa Rica51

A comparação com o Japão, líder mundial no índice, oferece uma lição valiosa. O país asiático transformou a gestão eficaz do turismo em uma vantagem de longo prazo, focando em sustentabilidade e experiência cultural. O Brasil, apesar de sua riqueza natural e cultural, ainda precisa alinhar sua oferta hoteleira a esses padrões. Isso implica investimentos em capacitação de equipes e na adoção de práticas sustentáveis que não apenas atendam a regulamentos, mas gerem valor percebido pelo cliente. A sustentabilidade, muitas vezes vista como custo, tende a se tornar um diferencial competitivo e um driver de receita em um mercado cada vez mais consciente.

Implicações operacionais para o back-of-house

Do ponto de vista operacional, a melhoria na conectividade e infraestrutura significa que os hotéis estão mais expostos a flutuações de demanda. Eventos corporativos, feiras e festivais podem gerar picos de ocupação que exigem uma resposta ágil da equipe. O night auditor, como guardião da integridade dos dados financeiros, precisa garantir que a informação de PMS (Property Management System) esteja limpa e atualizada para suportar decisões de pricing em tempo real. Erros de digitação ou falhas na sincronização de canais podem resultar em perdas de receita significativas, especialmente em períodos de alta demanda.

A controladoria deve, portanto, fortalecer a análise de variância entre orçado e realizado, focando em drivers de custo específicos. A inflação setorial, que afeta alimentos, bebidas e serviços, exige uma revisão constante dos cardápios e políticas de custo. A utilização de ferramentas de BI (Business Intelligence) para monitorar KPIs como RevPAR, ADR e ocupação em tempo real permite uma gestão mais proativa. A integração entre dados de PMS, PMS de reservas e sistemas de contabilidade é essencial para uma visão holística da saúde financeira do hotel.

Os riscos identificados pelo WEF, como lacunas de investimento e pressões sobre a acessibilidade, exigem uma abordagem cautelosa por parte da administração hoteleira. A expansão de capacidade deve ser acompanhada de planejamento financeiro rigoroso para evitar alavancagem excessiva. A sustentabilidade financeira do negócio depende da capacidade de gerar caixa livre, o que requer uma gestão disciplinada de capital de giro e contas a pagar. A negociação com fornecedores e a diversificação de fontes de receita são estratégias chave para mitigar esses riscos.

Além disso, a limitação de mão de obra impõe a necessidade de investir em tecnologia e treinamento. A automação de tarefas repetitivas libera o colaborador para atividades de maior valor agregado, como atendimento ao cliente e resolução de problemas. A cultura organizacional deve ser adaptada para valorizar a excelência operacional e a inovação. A gestão de pessoas, portanto, deixa de ser uma função administrativa e passa a ser uma alavanca estratégica para a competitividade.

O fechamento do cenário aponta para um futuro onde a qualidade da oferta será o principal diferencial. O Brasil, com sua posição de liderança regional, está bem posicionado para capturar valor no mercado global de turismo. No entanto, a conversão dessa posição em lucratividade sustentável depende da execução operacional impecável. A hotelaria brasileira precisa evoluir de um modelo baseado em volume para um modelo baseado em valor, onde cada decisão financeira e operacional contribui para a maximização do GOPPAR e a satisfação do cliente.

O horizonte de 2026 e além

As perspectivas para os próximos anos são positivas, mas condicionadas à capacidade dos destinos de compartilhar os benefícios do turismo de forma equitativa. A pressão sobre comunidades e recursos naturais exige uma gestão responsável que evite a degradação da experiência turística. Para os hotéis, isso significa adotar práticas que minimizem o impacto ambiental e social, o que também pode gerar economias de custos a longo prazo. A eficiência energética, a redução de desperdícios e a gestão de resíduos são áreas onde a hotelaria pode fazer a diferença.

A observação adiante deve focar na evolução dos indicadores de produtividade e margem. A melhoria na pontuação do Brasil no índice do WEF é um ponto de partida, não um destino. O setor precisa manter o ritmo de investimentos em infraestrutura e capacitação para sustentar a competitividade. A monitorização de tendências globais, como a digitalização do turismo e a crescente demanda por experiências autênticas, é essencial para a adaptação estratégica. A hotelaria brasileira está em um momento de oportunidade histórica, mas só a disciplina financeira e a excelência operacional garantirão que essa oportunidade se converta em sucesso duradouro.

Em resumo, a liderança do Brasil no ranking do WEF é um reflexo da resiliência do setor e da qualidade dos ativos turísticos. Para o back-of-house, o desafio é traduzir essa macro-visão em micro-acções diárias de eficiência, controle e inovação. A integração entre estratégia, finanças e operações é a chave para navegar um mercado em transformação, onde a pressão de custos e a escassez de talento exigem uma gestão mais sofisticada e data-driven.

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Fonte:bloomberglinea.com.br — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

259 matérias publicadasEsta matéria · 02 de outubro de 2026