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Distribuição

Brasil lidera crescimento, mas estrutura de distribuição ainda trava o teto de RevPAR

Apesar do recorde de 9,2 milhões de visitantes, a dependência de canais internacionais e a lacuna em conectividade digital limitam o avanço do ADR e a eficiência operacional dos hotéis brasileiros.

Redação The Contáveis.5 min de leitura
Brasil lidera crescimento, mas estrutura de distribuição ainda trava o teto de RevPAR

O Brasil consolidou, em 2025, um desempenho estatisticamente excepcional ao registrar 9,2 milhões de turistas internacionais, um salto de 37% em relação ao ano anterior. Embora esses números representem um recorde histórico absoluto, a análise fria do setor revela uma dissonância crítica: o volume de chegada não está se traduzindo proporcionalmente em receita líquida para as operações hoteleiras. A discrepância entre o fluxo de passageiros e a captura de valor no back-of-house expõe fragilidades estruturais que vão muito além da sazonalidade ou da conjuntura macroeconômica atual. Para o controller, o desafio não é apenas vender mais quartos, mas garantir que cada ocupação incremental gere um GOPPAR sustentável, desvinculado de margens esmagadas por comissões de distribuição.

O contexto imediato aponta para uma recuperação assimétrica. Enquanto os aeroportos operam em capacidade máxima e as agências de viagens registram alta demanda, a infraestrutura de distribuição digital do país permanece fragmentada. A comparação com mercados como Marrocos ou México, que recebem volumes significativamente maiores de turistas mesmo sem o apelo cultural imediato do Brasil, sugere que o gargalo não é a oferta de destino, mas a eficiência da cadeia de suprimentos turística. A falta de um plano contínuo de desenvolvimento do turismo, citado em estudos recentes, reflete-se na inconsistência da oferta hoteleira, onde a qualidade dos serviços varia drasticamente entre regiões, dificultando a padronização necessária para contratos corporativos e pacotes de alto valor agregado.

A desconexão entre fluxo e receita

Para o revenue manager, o cenário atual é um exercício de gestão de restrições. O aumento de 46% no volume de turistas desde 2019, que coloca o Brasil entre os maiores crescedores globais atrás apenas de nações do Golfo e Malta, deveria ter impulsionado o ADR de forma linear. No entanto, a penetração de canais internacionais de distribuição (OTAs) globais continua a exercer pressão deflacionária sobre os preços médios. A barreira linguística, com o Brasil ocupando posições inferiores em rankings de proficiência em inglês, cria um atrito operacional que eleva o custo do atendimento e reduz a conversão de reservas diretas. O night auditor, na ponta da operação, lida com a complexidade de reservas feitas em plataformas que não integram perfeitamente os sistemas PMS locais, resultando em erros de alocação e sobrecarga de trabalho administrativo que não agrega valor à experiência do hóspede.

A estrutura de custos no setor hoteleiro brasileiro ainda é marcada por uma ineficiência que se reflete diretamente no USALI (Uniform System of Accounts for the Lodging Industry). A dependência de intermediários para a aquisição de demanda internacional impede que os hotéis capturem a margem bruta potencial. Em mercados maduros, a taxa de comissionamento tende a ser otimizada através de programas de fidelidade robustos e parcerias diretas com operadores de turismo. No Brasil, essa estrutura é incipiente, forçando os gerentes financeiros a aceitar margens operacionais (GOP) mais baixas para manter a ocupação. A variação na qualidade dos serviços, mencionada em análises setoriais, também impacta a reputação online, que é o principal motor de distribuição atual. Uma avaliação negativa em plataformas globais tem um impacto desproporcional no ADR de destinos secundários, que dependem exclusivamente do canal digital para visibilidade.

O peso da infraestrutura e da percepção de risco

A infraestrutura logística permanece como o principal entrave à expansão do mercado de luxo e de negócios. A conectividade aérea interna é insuficiente para atender à demanda de cidades que não são capitais regionais, limitando o alcance do turismo doméstico que poderia servir de base para a ocupação fora da alta temporada. Para o controlador, isso significa uma sazonalidade acentuada que exige políticas de precificação dinâmica extremamente agressivas para manter o fluxo de caixa estável. A comparação com a Tunísia ou Bulgária, que recebem mais visitantes que o Brasil, reforça a ideia de que o mercado global não está limitado pela capacidade de hospedagem, mas pela acessibilidade e pela percepção de segurança. A imagem do país, ainda associada a riscos de segurança e corrupção, afeta diretamente o segmento de viajantes corporativos e de alto poder aquisitivo, que são os principais contribuidores para o RevPAR.

O fenômeno do 'brazilcore' e a visibilidade cultural recente não se traduziram em um aumento sustentado das vendas de passagens ou reservas hoteleiras de longo prazo. Isso indica que o marketing de destino é insuficiente sem uma infraestrutura de suporte robusta. O setor precisa de uma integração mais profunda entre os sistemas de gestão hoteleira e as plataformas de distribuição globais para reduzir a fricção na reserva. A falta de padronização nos serviços, como a comunicação em línguas estrangeiras e a digitalização dos processos de check-in e check-out, cria uma barreira de entrada que afasta o turista internacional de maior poder de compra. Para o gerente financeiro, a prioridade deve ser a redução do custo de aquisição de clientes (CAC) através da otimização do canal direto, algo que exige investimento em tecnologia e treinamento de equipe, áreas onde o setor brasileiro ainda investe de forma desigual.

Implicações para a controladoria e o futuro do setor

Os riscos operacionais são evidentes na inconsistência dos dados de ocupação e no subaproveitamento de receitas. A falta de um planejamento de longo prazo impede a criação de uma base de clientes fiéis que possa ser monetizada através de programas de lealdade, reduzindo a dependência de OTAs. A variação na qualidade dos serviços também impacta a retenção de talentos, com profissionais qualificados migrando para mercados internacionais ou para o setor corporativo, onde a estabilidade e a tecnologia são mais avançadas. Para o night audit, a automação de processos rotineiros é a única forma de mitigar a fadiga operacional e garantir a precisão dos relatórios diários, que são a base para as decisões de pricing.

O paralelismo internacional sugere que o Brasil tem potencial para dobrar seus números de turistas nos próximos cinco anos, mas isso exigirá uma transformação digital profunda na distribuição. A comparação com o México, que recebe cinco vezes mais turistas, destaca a importância de uma política de vistos simplificada e de uma infraestrutura de transporte terrestre eficiente. A ausência desses elementos mantém o Brasil em uma posição de 'destino de aventura' em vez de um 'destino de luxo e negócios', limitando o teto do ADR. O setor hoteleiro precisa de uma estratégia de distribuição que equilibre a presença em canais globais com o fortalecimento do canal direto, utilizando dados de primeira parte para personalizar a oferta e aumentar o ticket médio.

A observação adiante deve focar na evolução dos indicadores de eficiência operacional, especialmente o GOPPAR e a taxa de ocupação média diária (ALOS) em períodos de baixa temporada. A capacidade do setor de absorver o crescimento do volume sem diluir as margens será o teste real da maturidade da gestão hoteleira brasileira. A integração de sistemas e a padronização de serviços serão os determinantes finais de se o Brasil conseguirá transformar seu recorde de visitantes em um recorde de receita, ou se permanecerá como um mercado de alto volume e baixa margem, vulnerável a choques externos e flutuações cambiais. A controladoria deve monitorar de perto a relação entre o custo de distribuição e a receita bruta de quartos, ajustando as estratégias de precificação para proteger a rentabilidade no longo prazo.

Fonte:super.abril.com.br — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

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