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Custo de energia em hotéis: como as propostas eleitorais de 2026 moldam o GOPPAR

Análise dos planos de governo revela que a matriz energética definirá margens de hotelaria. Controladoria e revenue devem monitorar impactos nos encargos e na competitividade do setor frente à transição.

Redação The Contáveis.7 min de leitura
Custo de energia em hotéis: como as propostas eleitorais de 2026 moldam o GOPPAR

A energia elétrica representa uma das fatias mais rígidas e voláteis do custo operacional de um hotel brasileiro, frequentemente ultrapassando 10% a 15% da receita bruta em propriedades de grande porte. Com as eleições de 2026 se aproximando, a análise dos planos de governo dos principais candidatos ao Palácio do Planalto revela que a política energética não será apenas um tema ambiental ou industrial, mas um determinante crítico da rentabilidade do setor de hospitalidade. Para os controllers, night auditors e revenue managers, entender as nuances das propostas sobre subsídios, expansão de transmissão e fontes renováveis é essencial para projetar fluxos de caixa e ajustar estratégias de precificação nos próximos quatro anos.

O panorama político atual apresenta um espectro diversificado de abordagens para o setor elétrico. Enquanto alguns candidatos defendem a manutenção de subsídios para garantir a redução da conta de luz, outros priorizam a expansão da infraestrutura de transmissão e a integração de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Essa divergência tem implicações diretas na estabilidade tarifária. A hotelaria, setor intensivo em energia devido ao funcionamento 24 horas de sistemas de climatização, iluminação, cozinhas industriais e lavanderias, é particularmente sensível a qualquer alteração na bandeira tarifária ou nos encargos setoriais.

A proposta de criação de um corredor nacional de hidrogênio verde e hubs industriais no Nordeste, defendida por alguns candidatos, sinaliza uma aposta na exportação de energia limpa. Embora atraente macroeconomicamente, essa estratégia pode tensionar a oferta interna de energia no curto prazo, especialmente se a expansão da geração não acompanhar a demanda industrial. Para os hotéis localizados nessas regiões, isso pode significar uma competição mais acirrada por capacidade de rede, potencialmente elevando o custo de conexão e expansão de infraestrutura elétrica nas propriedades.

A volatilidade tarifária e o impacto no GOPPAR

O indicador GOPPAR (Gestão de Operações e Lucros por Quarto Disponível) é a métrica preferida pelos investidores para avaliar a eficiência operacional de um hotel. Qualquer aumento no custo de energia que não seja compensado por ganhos de produtividade ou aumento do ADR (Preço Médio Diário) resulta em uma deterioração direta do GOPPAR. Historicamente, o setor de hotelaria no Brasil tem enfrentado uma escalada nos custos energéticos, agravada pela seca e pela dependência de geração termelétrica em períodos de estresse hídrico.

As propostas que visam a revisão de subsídios e a correção de distorções tarifárias podem gerar um choque inicial de custos para os consumidores finais, incluindo os hotéis. No entanto, a médio e longo prazo, a estabilização da tarifa e a redução de subsídios cruzados podem trazer previsibilidade aos custos operacionais. Para o controlador, isso implica a necessidade de modelos de previsão de custos mais sofisticados, que incorporem variáveis políticas e regulatórias, além dos tradicionais drivers operacionais como ocupação e ALOS (Duração Média da Estada).

A expansão da geração distribuída, especialmente a energia solar fotovoltaica, é um tema recorrente nos planos de governo. A instalação de painéis solares em telhados de hotéis pode reduzir significativamente a conta de energia, mas exige um investimento de capital inicial considerável. A viabilidade econômica desses projetos depende de fatores como a tarifa local, a irradiação solar da região e a existência de incentivos fiscais. Candidatos que propõem a simplificação de regulamentações e a redução de impostos sobre equipamentos solares podem acelerar a adoção dessa tecnologia pelo setor.

Implicações operacionais para a controladoria e o revenue management

Para o night auditor, a precisão na alocação de custos energéticos entre departamentos é crucial para a análise de margens. A energia não é um custo uniforme; ela varia conforme a área do hotel. Cozinhas, lavanderias e áreas de lazer, como piscinas e spas, consomem proporcionalmente mais energia do que os quartos. A capacidade de desagregar esses custos e atribuí-los corretamente aos centros de custo permite uma gestão mais eficiente e a identificação de oportunidades de economia.

O revenue manager, por sua vez, deve monitorar de perto a relação entre o custo energético e a demanda. Em períodos de pico de consumo, quando as tarifas podem ser mais altas devido à necessidade de acionar termelétricas, a estratégia de precificação deve considerar esse custo marginal. Além disso, a sustentabilidade tornou-se um fator de decisão para muitos viajantes corporativos e de lazer. Hotéis que conseguem reduzir sua pegada de carbono através do uso de energia renovável podem justificar um prêmio de preço ou atrair uma base de clientes mais fiel.

A distribuição de energia também é um ponto crítico. A expansão da rede de transmissão e distribuição é essencial para garantir a confiabilidade do fornecimento, especialmente em regiões turísticas que podem sofrer com a sobrecarga da rede em alta temporada. Interrupções no fornecimento de energia podem ter um impacto devastador na experiência do hóspede e na reputação do hotel. Portanto, a qualidade do serviço elétrico é tão importante quanto o preço.

A análise dos planos de governo revela que a transição energética não é um processo linear, mas sim um conjunto de trade-offs políticos e econômicos. Candidatos que priorizam a expansão de fontes renováveis podem enfrentar resistência de setores tradicionais, como o de petróleo e gás. Essa tensão pode resultar em políticas inconsistentes ou em atrasos na implementação de projetos de infraestrutura, aumentando a incerteza para o setor de hotelaria.

Cenário internacional e riscos regulatórios

Internacionalmente, o setor de hotelaria tem sido pressionado a adotar práticas mais sustentáveis, impulsionado por regulamentos mais rigorosos e pela demanda dos consumidores. Na Europa, por exemplo, a diretiva de eficiência energética da União Europeia tem forçado os hotéis a reduzir seu consumo de energia e a investir em tecnologias mais eficientes. Nos Estados Unidos, a Lei de Redução da Inflação tem incentivado a adoção de energia renovável através de créditos fiscais.

O Brasil, com sua matriz energética já majoritariamente renovável, tem uma vantagem competitiva em relação a muitos países. No entanto, a intermitência das fontes renováveis e a necessidade de expansão da transmissão são desafios que precisam ser superados. A comparação com outros mercados emergentes, como a Índia e a China, mostra que a expansão rápida da geração renovável pode levar a instabilidades na rede se não for acompanhada de investimentos em armazenamento e gestão de demanda.

Os riscos regulatórios são significativos. Alterações na legislação tributária, como a proposta de reforma tributária, podem impactar o custo de energia e a viabilidade de investimentos em eficiência energética. Além disso, a incerteza política pode desencorajar investimentos em infraestrutura, agravando os gargalos existentes. Para o setor de hotelaria, isso significa a necessidade de uma gestão de riscos mais robusta, que inclua a análise de cenários políticos e regulatórios.

A responsabilidade corporativa também está em jogo. Investidores institucionais estão cada vez mais atentos aos critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) ao alocar capital. Hotéis que não demonstrarem um compromisso claro com a sustentabilidade energética podem enfrentar dificuldades para acessar financiamento ou podem ser excluídos de portfólios de investimento. Isso coloca pressão adicional sobre a alta administração para integrar a gestão energética à estratégia corporativa.

A formação de preços da energia no Brasil é complexa, envolvendo leilões de energia, mercado livre e regulado, e uma série de encargos e tributos. A compreensão desse mercado é essencial para os hotéis que buscam otimizar seus custos energéticos. A contratação de energia no mercado livre, por exemplo, pode oferecer oportunidades de economia, mas também expõe o hotel à volatilidade dos preços de mercado.

O papel da tecnologia na gestão energética também é crucial. Sistemas de gestão de energia (EMS) e automação predial podem ajudar os hotéis a monitorar e otimizar o consumo de energia em tempo real. A integração de dados de consumo com sistemas de property management (PMS) e revenue management pode permitir uma gestão mais proativa dos custos energéticos, alinhando-os à demanda e às estratégias de precificação.

A capacitação da equipe técnica é outro aspecto importante. A transição para uma matriz energética mais limpa e eficiente exige habilidades técnicas específicas, desde a instalação e manutenção de sistemas solares até a operação de sistemas de armazenamento de energia. A falta de mão de obra qualificada pode ser um gargalo para a implementação dessas tecnologias.

Em suma, as eleições de 2026 serão um momento decisivo para o futuro energético do Brasil e, por extensão, para a rentabilidade do setor de hotelaria. As propostas dos candidatos refletem diferentes visões sobre o equilíbrio entre custo, confiabilidade e sustentabilidade. Para os profissionais do back-of-house, o desafio é navegar nesse cenário de incerteza, adotando estratégias que protejam as margens e posicionem suas propriedades para o futuro.

A observação atenta das discussões parlamentares e das decisões regulatórias nos próximos meses será essencial. A hotelaria brasileira precisa estar preparada para se adaptar a um novo regime energético, seja ele mais focado em subsídios, em mercado livre ou em uma mistura de ambas as abordagens. A resiliência operacional dependerá da capacidade de antecipar essas mudanças e de integrar a gestão energética ao core business do hotel.

O fechamento do ciclo eleitoral trará clareza sobre a direção da política energética, mas os efeitos práticos levarão anos para se materializar. Portanto, a preparação deve começar agora, com a revisão de contratos de energia, o investimento em eficiência e a diversificação das fontes de geração. A energia não é apenas um custo; é um ativo estratégico que pode diferenciar um hotel no mercado competitivo da hospitalidade brasileira.

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Fonte:canalsolar.com.brler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

240 matérias publicadasEsta matéria · 07 de setembro de 2026