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Imbituba entra na rede global de surfe e desafia modelo de hotelaria costeira

O reconhecimento internacional da cidade catarinense como polo de surfe impõe novas exigências de gestão, sazonalidade e controle de custos para a cadeia hoteleira local, que precisa adaptar sua operação ao fluxo de atletas e eventos.

Redação The Contáveis.5 min de leitura
Imbituba entra na rede global de surfe e desafia modelo de hotelaria costeira

A entrada de Imbituba, em Santa Catarina, na World Surf Cities Network (WSCN) marca um ponto de inflexão para a economia local e, consequentemente, para o setor hoteleiro da região. Ao se tornar a segunda cidade brasileira e a décima nona do mundo a integrar essa rede, o município não apenas celebra um título simbólico, mas assume compromissos operacionais que impactam diretamente a gestão financeira e a estratégia de receita dos estabelecimentos de hospedagem. Para o back-of-house, isso significa o fim da visão simplista de alta e baixa temporada, dando lugar a um cenário mais complexo de demanda fragmentada, impulsionada por competições, escolas de surfe e turismo especializado.

O contexto imediato é a transição de um destino puramente balnear para um hub esportivo de classe mundial. Enquanto Santos, a primeira cidade brasileira na rede, já consolidou essa identidade, Imbituba entra com o desafio de estruturar sua oferta hoteleira para receber um perfil de hóspede diferente: o atleta, o treinador e o público de eventos. Essa mudança altera a elasticidade da demanda e exige uma reavaliação das estratégias de precificação e alocação de quartos, fundamentais para a maximização do RevPAR.

A nova geometria da sazonalidade

Para o night auditor e o controlador, o principal impacto reside na reconfiguração dos padrões de ocupação. Historicamente, destinos de surfe dependem da sazonalidade climática, mas a integração em redes globais tende a criar picos de demanda atípicos, ligados a calendários de competições internacionais. Isso exige uma monitorização em tempo real dos canais de distribuição, pois a janela de venda para esses eventos é curta e competitiva. A gestão de inventário precisa ser mais ágil, evitando tanto a subutilização de quartos em dias sem eventos quanto a perda de receita por preços inadequados em momentos de alta procura.

A terminologia setorial ganha novas nuances nesse cenário. O ADR (Average Daily Rate) pode experimentar volatilidade maior, oscilando conforme a relevância do evento esportivo. A ocupação não segue mais uma curva senoidal suave, mas apresenta picos agudos. Para a controladoria, isso significa que o GOPPAR (Gross Operating Profit Per Available Room) pode ser distorcido se os custos variáveis, como pessoal extra e serviços de alimentação, não forem escalados proporcionalmente à receita gerada. A eficiência operacional deixa de ser uma métrica estática e passa a ser dinâmica, exigindo revisões constantes dos padrões de custo.

O papel do revenue manager é central nessa nova realidade. A estratégia de distribuição deve equilibrar o canal próprio, que oferece maior margem, com os OTAs (Online Travel Agencies), que garantem visibilidade global. A presença na WSCN aumenta a visibilidade do destino, o que pode atrair agências especializadas em turismo esportivo. No entanto, isso também intensifica a concorrência por espaço nas plataformas digitais. A gestão de tarifas dinâmicas torna-se ferramenta essencial para capturar o valor máximo de cada reserva, especialmente em períodos de eventos, onde a demanda excede a oferta disponível.

Implicações operacionais para a controladoria

A controladoria deve preparar relatórios que segmentem a receita por origem (local, nacional, internacional) e por motivo de viagem (lazer, esporte, eventos). Essa granularidade é vital para entender a rentabilidade real de cada segmento. O ALOS (Average Length of Stay) tende a ser diferente entre o turista tradicional e o atleta, que pode permanecer por períodos mais longos durante treinos ou competições. Essa variação impacta a previsão de fluxo de caixa e a gestão de estoque de suprimentos.

Além disso, a preservação ambiental e a gestão costeira, pilares da WSCN, podem resultar em novas regulamentações municipais que impactem os custos operacionais. Taxas de resíduos, restrições de uso de áreas comuns e investimentos em infraestrutura sustentável são variáveis que devem ser incorporadas aos modelos de custo. A controladoria precisa antecipar esses custos e refleti-los nas projeções financeiras, evitando surpresas no fechamento mensal. A integração de dados de sustentabilidade com os indicadores financeiros tradicionais é um desafio crescente para as equipes de back-office.

A comparação com outros destinos globais na rede, como Ericeira, em Portugal, onde o anúncio foi feito, oferece lições valiosas. Destinos europeus com forte identidade de surfe desenvolveram ecossistemas hoteleiros especializados, com pacotes que integram hospedagem, aulas e equipamentos. No Brasil, essa integração ainda está em fase inicial. A oportunidade para os hotéis de Imbituba está em criar parcerias com escolas de surfe e organizadores de eventos, oferecendo pacotes que aumentem o ticket médio e fidelizem o cliente. Essa estratégia de bundling pode elevar o BAR (Break-Even Analysis) e reduzir o ponto de equilíbrio operacional.

Riscos e o papel da distribuição

Um dos riscos principais é a concentração excessiva em eventos de curto prazo, o que pode gerar instabilidade na receita. Se a demanda depender exclusivamente de competições, períodos sem eventos podem levar a uma queda acentuada na ocupação. A diversificação da base de clientes é, portanto, crucial. A distribuição deve ser multicanal, aproveitando a visibilidade da rede para atrair também o turismo de lazer e de negócios, que podem se beneficiar da infraestrutura criada para o surfe.

Outro risco é a pressão sobre a infraestrutura local. O aumento do fluxo de visitantes e atletas pode sobrecarregar serviços de transporte, alimentação e segurança, impactando a experiência do hóspede e, consequentemente, a reputação do hotel. A gestão de crises e a monitorização de feedbacks em tempo real tornam-se ferramentas indispensáveis para manter a satisfação do cliente e proteger a marca. A integração entre as equipes de front-office e back-office é vital para responder rapidamente a essas demandas.

O fechamento desse ciclo de reconhecimento não é um fim, mas um início. O que se observa adiante é a necessidade de uma profissionalização acelerada da gestão hoteleira em Imbituba. A adoção de tecnologias de análise de dados, a formação de equipes especializadas em revenue management e a colaboração com o poder público para a gestão do destino são passos inevitáveis. A rede mundial de cidades de surfe oferece uma plataforma de troca de experiências, mas a implementação local depende da capacidade dos hotéis de se adaptarem a um novo paradigma de operação, onde a identidade esportiva é o principal motor da receita.

Para o setor, a lição é clara: a especialização geográfica e temática exige uma gestão financeira igualmente especializada. Os controles tradicionais, baseados em médias anuais, perdem eficácia em cenários de alta volatilidade. A flexibilidade, a agilidade e a integração de dados são as novas moedas de troca para os controllers e revenue managers que desejam prosperar em destinos emergentes como Imbituba. A sustentabilidade econômica do destino está intrinsecamente ligada à eficiência operacional dos seus estabelecimentos de hospedagem, que devem evoluir de meros fornecedores de leito para parceiros estratégicos do ecossistema esportivo local.

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Fonte:horahiper.com.br — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

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