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Imobiliário de Itapema mira investidores do interior paulista

A migração de capital do interior de São Paulo para o litoral catarinense redefine a dinâmica de ocupação sazonal, impondo novos desafios de revenue management e controle operacional para a hotelaria regional.

Redação The Contáveis.6 min de leitura
Imobiliário de Itapema mira investidores do interior paulista

A expansão de construtoras catarinenses para o mercado do interior paulista, com destaque para a região de Assis, sinaliza uma mudança estrutural na origem do capital que financia o desenvolvimento imobiliário do litoral de Santa Catarina. O movimento, impulsionado por diretores comerciais que atuam como pontes entre esses dois cenários econômicos, não é apenas uma estratégia de vendas, mas um reflexo da busca por diversificação de portfólio por parte de produtores rurais e empresários locais que, historicamente, concentravam seus investimentos em ativos físicos de terra e pecuária. A aproximação desse perfil de investidor com empreendimentos como os de Itapema indica uma maturidade no mercado secundário de imóveis de lazer, onde a liquidez e a percepção de valorização constante se tornam argumentos centrais.

Para o setor de hotelaria, essa dinâmica tem implicações diretas na composição da demanda. O aumento do estoque de imóveis de alto padrão destinados à locação de temporada pressiona a taxa de ocupação dos hotéis tradicionais, especialmente em períodos de alta temporada, como o verão e feriados prolongados. Os revenue managers de hotéis em Itapema e cidades vizinhas enfrentam o desafio de precificar suas diárias em um mercado onde a concorrência não vem apenas de outros hotéis, mas de uma oferta massiva de apartamentos e casas de luxo que competem pela mesma carteira de clientes de alto poder aquisitivo. Essa competição exige uma análise mais granular da elasticidade de preço e da sensibilidade do cliente final à oferta de lazer e localização.

O contexto do setor hoteleiro brasileiro no ciclo pós-pandemia revela uma recuperação heterogênea. Enquanto os grandes centros urbanos registraram uma retomada robusta da demanda corporativa, o litoral catarinense, historicamente dependente do turismo de lazer, vive uma oscilação mais acentuada. O RevPAR (Receita por Quarto Disponível) em destinos como Itapema tende a apresentar picos extremos durante a alta temporada, seguidos por quedas significativas no período intermediário. Essa sazonalidade acentuada exige que as equipes de night audit e controladoria estejam altamente preparadas para lidar com flutuações bruscas de receita e custos fixos que permanecem elevados independentemente da ocupação.

A pressão sobre a estrutura de custos e o GOPPAR

A entrada de novos empreendimentos imobiliários de luxo no litoral catarinense altera a estrutura de custos operacionais do setor hoteleiro. A necessidade de se manter um padrão de serviço elevado para competir com a experiência oferecida por condomínios fechados e casas de alto padrão força os hotéis a investir em tecnologia, manutenção preventiva e capital humano especializado. Isso impacta diretamente o GOPPAR (Gross Operating Profit Per Available Room), que pode ser comprimido se a receita não acompanhar o aumento dos custos operacionais. Os controllers precisam monitorar de perto a eficiência energética e a gestão de insumos, pois a margem de erro em períodos de baixa ocupação é mínima.

Além disso, a presença de uma base de investidores do interior paulista, que muitas vezes utilizam os imóveis para uso próprio e locação parcial, cria um fenômeno de 'double-dipping' de demanda. Esses proprietários podem reservar quartos em hotéis para eventos corporativos ou sociais, enquanto mantêm seus imóveis disponíveis para locação de temporada. Essa sobreposição de interesses exige que os sistemas de PMS (Property Management System) estejam integrados de forma a permitir uma visão holística da demanda, evitando a alocação ineficiente de inventário. A análise de ALOS (Average Length of Stay) se torna crucial para entender se a presença desses investidores está prolongando ou encurtando as estadias médias nos hotéis.

A comparação com mercados internacionais de turismo de luxo, como a Riviera Francesa ou o Caribe, mostra que a profissionalização da gestão de rendas é o diferencial competitivo. Em destinos consolidados, os hotéis não competem apenas por preço, mas por experiência e conveniência. No caso de Itapema, a proximidade com o mar e a estrutura de lazer oferecida por empreendimentos como os descritos na fonte original são fatores determinantes. No entanto, a hotelaria precisa oferecer algo que o imóvel particular não oferece: serviços de concierge, gastronomia de alto nível e infraestrutura para eventos. A falta dessa diferenciação clara pode levar à erosão da participação de mercado dos hotéis tradicionais.

O papel da controladoria na gestão de riscos de liquidez

Para o gerente financeiro de hotéis na região, o risco de liquidez é um ponto de atenção constante. A concentração de receita em poucos meses do ano exige uma gestão de caixa impecável. A controladoria deve implementar modelos de previsão de fluxo de caixa que considerem não apenas a ocupação projetada, mas também a sazonalidade dos custos, como a contratação de temporários para a alta temporada. A utilização de indicadores como o BAR (Budget to Actual Ratio) permite identificar desvios orçamentários em tempo real, permitindo correções rápidas na estratégia de vendas e marketing.

A integração entre os setores de revenue, distribuição e controladoria é fundamental para otimizar a performance. Os canais de distribuição, incluindo OTAs (Online Travel Agencies) e vendas diretas, devem ser monitorados para garantir que a margem de lucro seja preservada. A presença de investidores locais pode facilitar a venda direta, reduzindo as comissões de intermediários, mas exige um esforço comercial constante para manter o relacionamento. A análise de USALI (Uniform System of Accounts for the Lodging Industry) fornece a padronização necessária para comparar a performance do hotel com o mercado, identificando áreas de ineficiência e oportunidades de melhoria.

Os riscos associados a essa dinâmica incluem a saturação do mercado e a depreciação acelerada dos ativos imobiliários. Se a oferta de imóveis de luxo crescer mais rápido que a demanda, o potencial de valorização pode ser comprometido, afetando o retorno sobre o investimento dos proprietários e, indiretamente, a demanda por serviços hoteleiros de alto padrão. A hotelaria deve estar preparada para cenários de menor demanda, ajustando sua oferta e preços de forma dinâmica. A flexibilidade operacional e a capacidade de adaptação são essenciais para navegar por esse ambiente de incerteza.

Perspectivas futuras e indicadores a monitorar

O que observar adiante é a evolução da taxa de vacância dos novos empreendimentos imobiliários e o impacto disso na ocupação dos hotéis. Se a vacância for alta, isso pode indicar uma sobreoferta no mercado de imóveis de luxo, o que pode pressionar os preços de locação e, consequentemente, a demanda por hotéis. Por outro lado, se a vacância for baixa, isso pode indicar uma forte demanda por imóveis de alto padrão, o que pode beneficiar a hotelaria ao atrair um público mais qualificado. A monitorização contínua desses indicadores é essencial para a tomada de decisão estratégica.

A profissionalização do setor de night audit também é um ponto a ser observado. Com o aumento da complexidade das operações e a necessidade de uma gestão mais precisa de dados, o papel do night auditor evolui de um mero conferente de contas para um analista de dados em tempo real. A capacidade de identificar anomalias em transações, prever receitas e gerar relatórios gerenciairos durante a madrugada é crucial para a eficiência operacional. A tecnologia desempenha um papel central nessa transformação, permitindo a automação de tarefas rotineiras e a liberação de tempo para atividades de maior valor agregado.

Em resumo, a aproximação de investidores do interior paulista com o mercado imobiliário de Itapema representa uma oportunidade e um desafio para o setor hoteleiro. A capacidade de se adaptar a essa nova dinâmica, otimizando a gestão de rendas, controlando custos e diferenciando a oferta de serviços, será determinante para o sucesso dos hotéis na região. A colaboração entre construtoras, investidores e operadores hoteleiros pode criar sinergias que beneficiem todo o ecossistema turístico de Santa Catarina, elevando o padrão de qualidade e a competitividade do destino no cenário nacional e internacional.

Vídeo relacionado ao tema — YouTube

Fonte:assiscity.com — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

341 matérias publicadasEsta matéria · 20 de outubro de 2026