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Imobiliário

INCC-M acelera em outubro e pressiona custos de manutenção hoteleira

Alta de 0,35% no índice da FGV, puxada por materiais estruturais e projetos, impacta o CAPEX de hotéis e desafia a gestão de margens e orçamentos de back-of-house no ciclo atual.

Redação The Contáveis.8 min de leitura
INCC-M acelera em outubro e pressiona custos de manutenção hoteleira

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou uma elevação de 0,35% em outubro, superando a alta de 0,25% verificada em setembro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Para o setor hoteleiro brasileiro, essa aceleração não é apenas um dado estatístico, mas um indicador direto da pressão sobre os custos de manutenção predial, reformas e capex (capital expenditure) que compõem a estrutura de custos operacionais e não operacionais das propriedades. A variação anual acumulada de 6,75% sinaliza que a inflação setorial da construção civil permanece acima da média geral da economia, criando um cenário desafiador para a controladoria e a gestão financeira dos hotéis, que precisam prever aumentos nos orçamentos de manutenção corretiva e preventiva.

A composição da alta revela que o grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços foi o principal motor da variação, subindo 0,40% no mês, após apenas 0,17% em setembro. Dentro desse grupo, a categoria de Materiais e Equipamentos passou de 0,17% para 0,41%, com destaque para o subgrupo de materiais para estrutura, que saltou de 0,07% para 0,72%. Para o gerente financeiro de um hotel, isso significa que itens como aço, cimento e materiais de acabamento estrutural estão mais caros, impactando diretamente projetos de retrofit, modernização de quartos ou obras de expansão. A aceleração nos materiais estruturais tende a encarecer intervenções que exigem reforço na infraestrutura do edifício, um ponto crítico para estabelecimentos em centros urbanos onde a obsolescência física é mais perceptível.

O grupo de Serviços também apresentou relevante aceleração, passando de 0,15% para 0,31% em outubro. O principal responsável por essa mudança foi o item 'projetos', cuja taxa de variação subiu de 0,10% para 0,44%. No contexto hoteleiro, os custos de projetos englobam arquitetura, engenharia, consultoria técnica e licenças. O aumento nesse item indica que o custo de planejar e aprovar obras está subindo, o que afeta o ciclo de vida de projetos de capital. Para a controladoria, isso implica a necessidade de revisar as provisões para investimentos e ajustar as estimativas de retorno sobre o investimento (ROI) de melhorias em eficiência energética ou experiência do hóspede, já que o custo inicial do planejamento está mais elevado.

Pressão sobre o CAPEX e a Controladoria

A variação do índice de Mão de Obra, por sua vez, desacelerou para 0,27% em outubro, ante 0,37% em setembro. Embora essa desaceleração seja positiva para o custo de mão de obra direta na construção, o efeito combinado da alta em materiais e serviços mantém a pressão geral sobre os custos de manutenção. Para os hotéis, a mão de obra na construção é frequentemente terceirizada, mas o custo total do serviço de manutenção é influenciado pela soma dos insumos. A desaceleração na mão de obra pode ser um alívio temporário, mas não compensa a aceleração nos materiais e projetos. A gestão de custos de manutenção (maintenance costs) é um dos pilares da USALI (Uniform System of Accounts for the Lodging Industry), e qualquer desvio no INCC-M deve ser monitorado de perto para evitar surpresas no GOP (Gross Operating Profit).

A distribuição geográfica da variação também oferece insights importantes. O INCC-M acelerou em cinco das sete capitais que compõem o índice: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. Em contraste, Recife apresentou desaceleração e o Rio de Janeiro manteve sua taxa de 0,20%. Essa heterogeneidade regional é relevante para redes hoteleiras com portfólio diversificado. Hotéis em São Paulo e Salvador, por exemplo, enfrentam uma pressão inflacionária mais intensa nos custos de construção do que aqueles em Recife. A controladoria deve, portanto, segmentar suas análises de custo por região, evitando usar uma média nacional que pode mascarar a realidade local. Em mercados onde a inflação da construção é mais alta, a necessidade de renegociar contratos de manutenção e revisar orçamentos de capex é mais urgente.

Variação do INCC-M e seus componentes em outubro
ComponenteVariação em SetembroVariação em OutubroAcumulado 12 meses
INCC-M Geral0,25%0,35%6,75%
Materiais, Equipamentos e Serviços0,17%0,40%N/D
Mão de Obra0,37%0,27%N/D
Serviços0,15%0,31%N/D

O cenário atual do setor hoteleiro brasileiro é marcado por uma recuperação gradual da demanda, mas com margens sob pressão devido ao aumento dos custos operacionais. A RevPAR (Receita por Quarto Disponível) tem mostrado sinais de estabilidade em muitas regiões, mas o ADR (Preço Médio Diário) não tem acompanhado a mesma velocidade de crescimento dos custos. Com a inflação da construção civil acima de 6% em 12 meses, os hotéis que estão em fase de expansão ou reforma enfrentam um desafio adicional: o custo do capital está subindo, o que pode esticar o payback dos investimentos. Para o revenue manager, isso significa que a estratégia de precificação deve considerar não apenas a demanda, mas também o custo de oportunidade de manter o hotel em operação versus investir em melhorias que possam aumentar a RevPAR a longo prazo.

Implicações para Night Audit e Distribuição

Para o night audit, o impacto do INCC-M é menos direto, mas ainda assim relevante. A manutenção dos sistemas de reserva, a infraestrutura de TI e os equipamentos de front desk são parte do custo de operação. Se o hotel está investindo em modernização tecnológica, o custo desses equipamentos e serviços de instalação pode estar subindo em linha com o grupo de Materiais e Serviços do INCC-M. Além disso, a manutenção preventiva de equipamentos de HVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e elevadores, que são críticos para a operação noturna e a experiência do hóspede, também pode ser afetada pela alta no custo de peças e serviços. O night audit deve estar atento a possíveis falhas em equipamentos que, se não forem reparadas rapidamente, podem impactar a ocupação e a reputação do hotel.

Na área de distribuição, o custo de marketing e canais de venda pode ser indiretamente afetado se o hotel decidir investir em melhorias de infraestrutura digital para se destacar em OTAs (Online Travel Agencies). No entanto, o efeito mais imediato do INCC-M é no back-of-house, onde a gestão de custos é mais visível. A controladoria deve trabalhar em estreita colaboração com o departamento de engenharia e manutenção para garantir que os orçamentos de capex e opex (operational expenditure) estejam atualizados com base nas novas taxas de inflação. Isso inclui a revisão de contratos com fornecedores de materiais de construção e serviços de manutenção, buscando cláusulas de reajuste que reflitam a realidade do mercado.

Comparação Histórica e Riscos

Historicamente, o INCC-M tem sido um dos índices mais voláteis no Brasil, influenciado por fatores como a oferta de insumos, a taxa de câmbio e a política monetária. No ciclo pós-pandemia, a inflação da construção civil foi impulsionada pela escassez de insumos e pela alta da demanda por moradia e infraestrutura. Atualmente, com a economia brasileira em recuperação, a demanda por construção civil tende a se manter elevada, o que pode sustentar a inflação setorial. Para o setor hoteleiro, isso significa que a pressão sobre os custos de manutenção e capex não deve aliviar no curto prazo. O risco principal é a deterioração da margem operacional (GOPPAR) se os hotéis não conseguirem repassar esses custos para o hóspede através de aumentos no ADR.

Um paralelo internacional pode ser observado em mercados onde a inflação da construção civil tem sido persistente, como nos Estados Unidos e na Europa, onde a escassez de mão de obra e a alta dos materiais têm encarecido projetos de hotelaria. Nesses mercados, os investidores têm se tornado mais seletivos, focando em propriedades que oferecem melhor retorno sobre o investimento e menor necessidade de capex. No Brasil, a tendência é semelhante, com uma maior atenção para a eficiência operacional e a gestão de custos. Hotéis que conseguirem otimizar seus processos de manutenção e reduzir desperdícios terão uma vantagem competitiva significativa.

Os riscos associados à alta do INCC-M incluem a possibilidade de atrasos em projetos de expansão ou reforma, o que pode impactar a capacidade do hotel de atender à demanda crescente. Além disso, a alta nos custos de materiais e serviços pode levar a uma redução na qualidade dos serviços de manutenção, se os hotéis optarem por cortar gastos para preservar a margem. Isso pode resultar em uma piora na experiência do hóspede, com possíveis impactos na ocupação e na reputação da marca. A contrapartida é que a alta nos custos de construção pode incentivar a modernização de equipamentos e sistemas, o que, a longo prazo, pode levar a uma maior eficiência energética e redução de custos operacionais.

O que observar adiante

Para os próximos meses, o setor hoteleiro deve monitorar de perto a evolução do INCC-M e seus componentes, especialmente os grupos de Materiais e Serviços. A controladoria deve revisar regularmente seus modelos de previsão de custos, incorporando as novas taxas de inflação e ajustando os orçamentos de capex e opex. A colaboração entre os departamentos de finanças, engenharia e operações é essencial para garantir que as decisões de investimento estejam alinhadas com a realidade do mercado. Além disso, a gestão deve buscar oportunidades de economia de escala através de contratos de manutenção e compra de materiais em grupo, especialmente para redes hoteleiras.

A observação da variação regional do índice também é crucial, permitindo que as propriedades ajustem suas estratégias de acordo com as condições locais do mercado de construção civil. Em regiões onde a inflação é mais alta, a necessidade de renegociar contratos e revisar orçamentos é mais urgente. Em regiões onde a inflação é mais baixa, os hotéis podem ter mais espaço para investir em melhorias de experiência do hóspede. A flexibilidade na gestão de custos é uma competência cada vez mais importante para o sucesso no setor hoteleiro brasileiro, especialmente em um cenário de inflação setorial persistente.

Em resumo, a alta do INCC-M em outubro e a acumulação de 6,75% em 12 meses representam um desafio significativo para a gestão financeira e operacional dos hotéis no Brasil. A pressão sobre os custos de manutenção e capex exige uma abordagem proativa e integrada, envolvendo a controladoria, a engenharia e a operação. A capacidade de adaptar-se às mudanças no mercado de construção civil e de otimizar os custos será determinante para a sustentabilidade e a rentabilidade dos hotéis nos próximos anos. A atenção aos detalhes e a análise aprofundada dos dados serão ferramentas essenciais para navegar esse cenário complexo e garantir a competitividade do setor.

Vídeo relacionado ao tema — YouTube

Fonte:valor.globo.com — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

413 matérias publicadasEsta matéria · 03 de novembro de 2026