Carregando cotações…
Tecnologia

Maringá aposta em madeira engenheirada para redefinir custos de hotelaria

Sediar o Tomorrow.Building em 2027 posiciona a cidade como polo de inovação construtiva. Para o setor hoteleiro, a mudança de paradigma nos materiais impacta diretamente o GOPPAR e a eficiência operacional dos novos empreendimentos lifestyl

Redação The Contáveis.5 min de leitura
Maringá aposta em madeira engenheirada para redefinir custos de hotelaria

A escolha de Maringá para sediar a primeira edição brasileira do Tomorrow.Building em julho de 2027 vai além de um evento corporativo; ela sinaliza uma mudança estrutural na forma como o Brasil concebe a infraestrutura urbana e, por extensão, a hotelaria. Ao vincular o congresso ao ecossistema Cidade Aruna, a cidade paranaense utiliza a construção sustentável não apenas como discurso, mas como ativo financeiro e operacional. Para o back-of-house hoteleiro, essa transição implica uma reavaliação profunda dos modelos de custo, manutenção e eficiência energética que tradicionalmente dominam as planilhas de controladoria e gestão de receita.

O evento, chancelado pela Fira Barcelona e organizado pelo Grupo iCities, traz para o centro do debate a madeira engenheirada, material que o Office Cidade Aruna utiliza em sua estrutura. Historicamente, a hotelaria brasileira foi construída sobre o paradigma do concreto armado e do aço, materiais que impõem cargas estruturais pesadas e ciclos de manutenção preditiva longos e caros. A introdução de estruturas leves e sustentáveis altera a equação de capex e opex, fatores que impactam diretamente o retorno sobre investimento e a margem operacional dos hotéis, especialmente aqueles de perfil lifestyle, como o Tribe, cuja abertura está prevista para 2030.

A Engenharia do Custo Operacional

Para o controller e o gerente financeiro de hotel, a mudança de material construtivo não é apenas uma questão estética ou de marketing verde. Ela se reflete na eficiência energética do edifício. Estruturas com madeira engenheirada tendem a ter melhor desempenho térmico, reduzindo a carga sobre os sistemas de climatização. Em um setor onde a energia elétrica é uma das variáveis mais voláteis e impactantes no GOPPAR, essa redução pode ser significativa. A análise de viabilidade econômica de um novo hotel passa a exigir dados mais granulares sobre o desempenho energético da estrutura, não apenas da instalação de equipamentos. Isso demanda uma colaboração mais estreita entre a equipe de engenharia predial e a controladoria já na fase de projeto.

Além da energia, a manutenção predial muda de natureza. Materiais sustentáveis e modernos podem exigir protocolos de conservação diferentes dos convencionais. O night auditor, que monitora a operação 24 horas, precisa estar ciente de sistemas de automação mais complexos que acompanham essas novas estruturas. A integração entre Building Management Systems (BMS) e os sistemas de gestão hoteleira (PMS) torna-se crítica para capturar dados em tempo real sobre consumo e anomalias, permitindo uma gestão proativa que antecipe falhas e otimize os custos de manutenção corretiva.

Indicadores do Ecossistema Cidade Aruna e Mercado Local
MétricaValor/DadoContexto
Área do Ecossistema52.000 m²Terreno total do complexo multiuso
Potencial de VendasR$ 2,5 bilhõesEstimativa para o complexo
Edifícios em Construção (Maringá)97Dados de julho do ano corrente
Abertura do Tribe2030Previsão para o hotel lifestyle

O contexto macroeconômico do setor hoteleiro brasileiro em 2026 mostra uma recuperação pós-pandemia consolidada, com ocupação e ADR em trajetória ascendente, mas pressionados por custos trabalhistas e energéticos. A entrada de novos empreendimentos em cidades secundárias, como Maringá, desloca o foco da hotelaria de luxo para o segmento de negócios e lifestyle. A presença do Tribe, marca do Grupo Accor, indica que o investidor está buscando diferenciais competitivos que vão além da localização. A sustentabilidade construtiva torna-se um diferencial de venda (USP) que pode justificar um ADR premium, desde que seja percebido pelo hóspede e validado por certificações internacionais.

Comparativo Internacional e Riscos de Execução

O paralelo com o mercado europeu é inevitável. Na Europa, a adoção de madeira engenheirada em edifícios corporativos e hoteleiros é mais madura, impulsionada por regulamentos de descarbonização rígidos. No Brasil, a iniciativa ainda é pioneira, o que traz riscos de execução. A cadeia de suprimentos para esse tipo de material é menos estabelecida, o que pode gerar atrasos na obra e contingências orçamentárias. Para o revenue manager, a incerteza na data de abertura impacta a estratégia de precificação e a captação de demanda antecipada. A comunicação sobre o status da obra e os benefícios do material deve ser gerida com cuidado para não gerar expectativas irreais que possam resultar em churn ou avaliações negativas.

Há também o risco de greenwashing. Se a sustentabilidade for usada apenas como ferramenta de marketing sem substância operacional, o ativo pode perder valor percebido. A hotelaria é um setor de experiências, e a autenticidade é crucial. O controlador deve garantir que os investimentos em tecnologia e materiais sustentáveis gerem métricas tangíveis de eficiência, não apenas relatórios de impacto social. A transparência nos dados de consumo e manutenção é essencial para sustentar a narrativa de valor.

A logística de distribuição também é afetada. Cidades que se tornam polos de inovação urbana atraem mais eventos corporativos e congressos, aumentando a demanda por salas de reunião e espaços de convivência. O Tribe e outros hotéis do ecossistema Cidade Aruna se beneficiarão dessa captação de demanda de negócios. No entanto, a capacidade de resposta da operação precisa ser ágil. A tecnologia de automação predial integrada ao PMS permite ajustar a ocupação de espaços comuns com base em dados de sensores, otimizando o uso de energia e recursos humanos.

Implicações para a Controladoria e Revenue

A integração de dados de eficiência energética nas relatórios financeiros mensais é um passo fundamental. Em vez de tratar a conta de energia como um custo fixo ou variável simples, o controller deve segmentar o consumo por área e por sistema, identificando oportunidades de economia. Isso exige uma infraestrutura de dados robusta e uma cultura organizacional que valorize a análise contínua. O night auditor, como o primeiro a detectar anomalias noturnas, se torna um agente de eficiência, reportando picos de consumo que podem indicar falhas ou otimizações possíveis.

Para o revenue manager, a nova oferta hoteleira em Maringá altera a dinâmica competitiva local. A entrada de marcas internacionais com conceitos inovadores força os concorrentes a revisarem suas estratégias de valor. A diferenciação por sustentabilidade pode permitir um posicionamento premium, mas exige uma comunicação clara e consistente. A análise de elasticidade de preço deve considerar a disposição do viajante corporativo a pagar mais por um ambiente sustentável e tecnologicamente avançado.

O ecossistema Cidade Aruna, com seu potencial de vendas estimado em bilhões de reais, sugere um crescimento urbano acelerado. Isso implica uma aumento na base de hóspedes corporativos e de lazer. A hotelaria precisa estar preparada para essa expansão, não apenas em capacidade, mas em qualidade de serviço. A tecnologia construtiva é um facilitador, mas o sucesso final depende da operação. A sinergia entre engenharia, controladoria e revenue é o que transformará o potencial físico do edifício em desempenho financeiro sustentado.

A observação adiante deve focar na entrega real dos projetos e na validação dos benefícios alegados. A abertura do Tribe em 2030 será um marco para o setor, servindo como caso de estudo para a viabilidade econômica da madeira engenheirada na hotelaria brasileira. Até lá, os profissionais de back-of-house devem se preparar para uma nova era de gestão, onde a eficiência energética e a sustentabilidade não são mais extras, mas componentes centrais do modelo de negócio. A capacidade de adaptar as ferramentas de análise e operação a essa nova realidade determinará quem liderará o mercado hoteleiro nas próximas décadas.

Vídeo relacionado ao tema — YouTube

Fonte:gazetadopovo.com.br — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

Mark

Mark

Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

360 matérias publicadasEsta matéria · 22 de outubro de 2026