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Meliá intensifica captação de Mice no Brasil com roadshow duplo em 2026

Segunda edição do evento em São Paulo e Rio de Janeiro sinaliza urgência da rede em captar grupos corporativos, enfrentando a sazonalidade e a pressão por margem nos hotéis brasileiros.

Redação The Contáveis.6 min de leitura
Meliá intensifica captação de Mice no Brasil com roadshow duplo em 2026

A realização de uma segunda edição do roadshow de Mice da Meliá Hotels International em 2026, dentro de um mesmo ano fiscal, marca uma mudança de postura estratégica no mercado brasileiro. Tradicionalmente, redes internacionais espaçam essas ações anuais, mas a repetição do formato em curto intervalo indica que a demanda por ocupação de grupos não está sendo satisfeita pelos canais digitais convencionais. Para o back-of-house, essa intensificação de vendas presenciais não é apenas uma ferramenta de marketing, mas um mecanismo crítico de previsibilidade de receita que impacta diretamente a gestão de custos e a alocação de recursos operacionais nos hotéis.

O evento, que reuniu dezenas de profissionais em São Paulo antes de seguir para o Rio de Janeiro, colocou em contato direto compradores de agências de viagens corporativas e eventos com representantes de propriedades em mercados como México, Punta Cana, Argentina, sul da Espanha, Paris e, pela primeira vez, Brasília. A inclusão de um hotel brasileiro na própria rodada de vendas é um sinal de que a rede busca equilibrar seu portfólio internacional com a força do mercado doméstico, reconhecendo que o Mice local é o motor principal da ocupação em datas de baixa temporada.

A mecânica da ocupação de grupos

Do ponto de vista da controladoria e do revenue management, a venda de Mice difere fundamentalmente da venda de lazer. Enquanto o turista individual é sensível ao preço e à disponibilidade em tempo real, o grupo corporativo exige contratos firmados com antecedência, garantias de espaço físico e, cada vez mais, pacotes all-inclusive que simplifiquem a contabilidade para o cliente final. A diretoria da Meliá no Brasil identificou essa tendência, apontando que o comprador brasileiro busca a praticidade de um preço único que englobe hospedagem e alimentação. Para o night auditor, isso significa uma mudança no perfil do check-in e no fluxo de caixa diário, pois as receitas de F&B (Food & Beverage) deixam de ser variáveis imprevisíveis e passam a ser componentes fixos de um contrato maior.

A presença de destinos internacionais como Paris e o sul da Espanha, substituindo os tradicionais Madrid e Barcelona, reflete uma segmentação mais refinada. A rede está direcionando propriedades de perfil mais luxuoso para atrair grupos de alto valor agregado. Isso altera a dinâmica do ADR (Average Daily Rate) médio da rede no Brasil, pois a venda de pacotes internacionais de luxo tende a puxar o ticket médio para cima, mesmo que a ocupação física no Brasil permaneça estável. Para os gerentes financeiros, a chave está em entender que a receita gerada no Mice não é apenas a diária, mas o pacote completo, o que exige uma reavaliação dos indicadores de GOPPAR (Gross Operating Profit Per Available Room) para refletir a contribuição real do F&B e dos serviços de eventos.

Implicações para a operação noturna e a distribuição

Para o time de night audit, a chegada de grandes grupos via Mice traz desafios operacionais específicos. O check-in em massa exige uma preparação prévia rigorosa dos sistemas PMS (Property Management Systems), garantindo que as reservas estejam corretamente codificadas para evitar conflitos de tarifa ou erros de cobrança. A integração entre o sistema de reservas e a contabilidade é vital para que a receita de F&B vinculada ao Mice seja reconhecida corretamente no fechamento diário. Qualquer falha nessa integração pode levar a distorções no BAR (Business Activity Report), comprometendo a precisão dos relatórios gerenciais enviados à matriz.

Além disso, a distribuição do Mice no Brasil ainda depende fortemente de relações pessoais e canais tradicionais, ao contrário do lazer, que migrou para OTAs (Online Travel Agencies) e metasearch. A insistência da Meliá em roadshows presenciais é uma aposta em manter o controle sobre o relacionamento com o comprador, evitando a dependência excessiva de plataformas que cobram comissões elevadas. Para a controladoria, isso representa uma oportunidade de melhorar a margem líquida, pois a venda direta ou via agência tradicional geralmente oferece melhores condições de pagamento e menor custo de aquisição de cliente (CAC) em comparação com a venda por OTA.

O cenário macroeconômico brasileiro adiciona uma camada de complexidade. A forte valorização do real frente ao euro e ao dólar no ciclo recente tornou os destinos internacionais mais acessíveis para o comprador brasileiro, o que explica a demanda por Europa e Caribe. No entanto, a instabilidade cambial também traz riscos para a precificação de longos prazos. Contratos de Mice internacionais fechados hoje podem sofrer ajustes de valor se a moeda local se desvalorizar antes da data do evento, exigindo cláusulas de proteção cambial nos contratos e uma monitorização constante pelo departamento financeiro.

Comparação histórica e riscos setoriais

Historicamente, o mercado de Mice no Brasil passou por uma retração significativa durante a pandemia, com a migração para eventos híbridos que nunca se consolidaram plenamente. A volta ao presencial em 2024 e 2025 foi gradual, e a intensificação de 2026 sugere que a recuperação está em fase de aceleração. No entanto, há um risco de saturação em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a oferta de salas de eventos de alto padrão já é robusta. A entrada de novos players e a expansão de redes como a Meliá podem levar a uma guerra de preços por grupos corporativos, pressionando o ADR e, consequentemente, a margem operacional.

Um paralelo internacional relevante é a experiência do mercado espanhol, que sofreu com a estagnação do Mice após a crise de 2008 e a pandemia. A Espanha aprendeu a diversificar sua oferta, focando em nichos de luxo e eventos de alto valor, uma estratégia que a Meliá parece estar replicando ao trazer o sul da Espanha e Paris para o roadshow. O desafio para o Brasil é replicar essa sofisticação sem perder a competitividade de preço que ainda atrai muitos grupos corporativos nacionais. A capacidade de entregar um produto all-inclusive de alta qualidade, com infraestrutura tecnológica adequada para eventos híbridos, será o diferencial competitivo.

Os riscos operacionais também incluem a dependência de fornecedores locais para a parte de F&B e tecnologia de eventos. Qualquer falha na cadeia de suprimentos pode impactar a experiência do cliente e, por extensão, a reputação da rede. Para a controladoria, isso exige uma gestão de riscos mais ativa, com contratos de fornecimento que incluam penalidades por não conformidade e seguros adequados para eventos de grande porte. A transparência nos custos de operação é essencial para que a rede possa precificar corretamente seus pacotes e garantir a rentabilidade de cada grupo hospedado.

O que observar adiante

Nos próximos trimestres, o mercado de hotelaria brasileiro deve assistir a uma maior integração entre os sistemas de reserva e as ferramentas de gestão de eventos. A expectativa é que as redes comecem a oferecer plataformas dedicadas para o Mice, com dashboards em tempo real para os clientes corporativos. Isso exigirá investimentos em tecnologia e treinamento das equipes de front office e back-of-house, que precisarão estar familiarizadas com novas interfaces e fluxos de trabalho. A formação de profissionais especializados em Mice será um fator crítico de sucesso, dado o volume crescente de negociações.

Além disso, a sustentabilidade será um critério cada vez mais importante para os compradores de Mice, que buscam fornecedores alinhados com suas políticas corporativas de ESG (Environmental, Social and Governance). Hotéis que conseguirem demonstrar práticas sustentáveis em suas operações e eventos terão vantagem competitiva na captação de grupos corporativos globais. A Meliá, com sua experiência internacional, está bem posicionada para liderar essa tendência, mas a implementação local será o verdadeiro teste de sua estratégia.

Para os controllers e night auditors, o foco deve estar na precisão dos dados e na agilidade na resposta às solicitações de grupos. A capacidade de gerar relatórios financeiros rápidos e confiáveis para apoiar as negociações de vendas será um diferencial. A colaboração entre os departamentos de vendas, receita e finanças é mais importante do que nunca, pois a venda de Mice é um esforço multidimensional que impacta todas as áreas da operação. A monitorização constante dos indicadores de desempenho e a adaptação rápida às mudanças do mercado serão essenciais para navegar nesse novo ciclo de crescimento do Mice no Brasil.

Em resumo, a segunda edição do roadshow da Meliá em 2026 não é apenas um evento de vendas, mas um indicador da transformação estrutural do mercado de hotelaria brasileiro. A convergência entre a demanda por experiências de luxo, a necessidade de previsibilidade de receita e a pressão por eficiência operacional está redefinindo o papel do back-of-house. As redes que conseguirem integrar esses elementos com sucesso estarão melhor preparadas para capturar o valor crescente do segmento Mice nos próximos anos.

Vídeo relacionado ao tema — YouTube

Fonte:panrotas.com.br — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

224 matérias publicadasEsta matéria · 27 de setembro de 2026