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Imobiliário

Sinapi desacelera para 0,30% e pressiona capex de hotéis em ciclo de manutenção

Queda na inflação de materiais e mão de obra reduz o custo do metro quadrado, impactando diretamente a gestão de capital e a alocação de verbas para reformas em propriedades hoteleiras brasileiras.

Redação The Contáveis.6 min de leitura
Sinapi desacelera para 0,30% e pressiona capex de hotéis em ciclo de manutenção

A desaceleração do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) para 0,30% em setembro, conforme divulgado pelo IBGE, marca um ponto de inflexão relevante para a estrutura de custos do setor hoteleiro brasileiro. Embora o número pareça modesto em termos de variação mensal, o efeito acumulado sobre o custo nacional da construção, que atingiu R$ 1.999,73 por metro quadrado, redefine os parâmetros de planejamento financeiro para controllers e diretores de ativos. Para a hotelaria, que opera com margens de lucro bruto (GOP) sensíveis a qualquer oscilação no custo fixo, essa variação não é apenas uma estatística macroeconômica, mas um insumo direto para a revisão de orçamentos de capital (CAPEX) e para a avaliação de projetos de modernização que estavam represados devido à incerteza inflacionária dos anos anteriores.

O contexto imediato revela uma decomposição importante no índice: a parcela dos materiais, responsável por mais da metade do custo total, registrou alta de 0,28%, enquanto a mão de obra subiu 0,33%. Essa inversão de tendência, com a mão de obra pressionando mais que os insumos físicos, tem implicações diretas para o planejamento de obras em hotéis. Historicamente, o setor hoteleiro brasileiro sofreu com a escassez de mão de obra qualificada para reformas, o que inflava os custos de execução. A desaceleração na inflação dos materiais tende a beneficiar projetos que dependem fortemente de insumos importados ou de commodities locais, como aço e cimento, permitindo que gerentes financeiros renegociem contratos de manutenção predial e reformas estruturais com maior previsibilidade de custo.

Impactos na Controladoria e no Planejamento de CAPEX

Para a controladoria hoteleira, o Sinapi funciona como um proxy para o custo de reposição do ativo imobilizado. Em um cenário onde o custo do metro quadrado está em quase dois mil reais, a depreciação contábil e a provisão para manutenção de longo prazo precisam ser recalibradas. Controllers que utilizam modelos de previsão de fluxo de caixa baseados em inflação constante podem estar subestimando o impacto real na renovação de ativos, especialmente em propriedades que possuem mais de dez anos de operação e exigem substituição de sistemas de HVAC, revestimentos e mobiliário. A desaceleração do índice em setembro, caindo de 0,44% em agosto e 0,50% no mesmo mês de 2025, sugere que o pico inflacionário da construção civil pode ter passado, o que abre uma janela de oportunidade para a execução de projetos adiados no ciclo pós-pandemia.

A estrutura de custos de R$ 1.127,17 para materiais e R$ 872,56 para mão de obra indica uma relação de aproximadamente 56% para 44%. Essa proporção é crítica para a análise de rentabilidade de reformas. Hotéis que estão avaliando a conversão de quartos ou a atualização de áreas públicas devem considerar que a mão de obra, embora tenha desacelerado, ainda representa uma parcela significativa do investimento. A gestão de contratos de obra deve, portanto, focar em cláusulas de reajuste que reflitam essa composição, evitando surpresas no fechamento de contas. Para o night audit, que frequentemente lida com a reconciliação de contas de fornecedores e serviços terceirizados, a atenção a esses índices é vital para validar os repasses de valores em contratos de manutenção predial, garantindo que os repasses estejam alinhados com a variação real do mercado.

Variação do Sinapi e Custo da Construção
MétricaSetembroAgostoSetembro 2025
Variação Mensal0,30%0,44%0,50%
Acumulado 12 Meses6,81%7,03%N/D
Custo Total/m²R$ 1.999,73R$ 1.993,76N/D

Implicações para a Alocação de Verbas e Revenue Management

A relação entre o custo da construção e a gestão de receitas (revenue management) é menos óbvia, mas igualmente importante. Decisões de investimento em capital afetam diretamente a capacidade do hotel de competir no mercado por meio da qualidade percebida. Se o custo de manutenção predial aumenta, parte do GOP que seria destinado a marketing ou melhorias em tecnologia de distribuição pode ser realocada para reparos urgentes. Em um cenário de RevPAR (Receita por Quarto Disponível) pressionado pela sazonalidade, a capacidade de absorver choques de custo sem comprometer a ADR (Preço Médio Diário) é um diferencial competitivo. A desaceleração do Sinapi permite que revenue managers planejem campanhas de venda de pacotes de reforma ou atualização de quartos com maior segurança, sabendo que o custo de oportunidade de investir em melhorias físicas está estabilizando.

Além disso, a inflação de 6,81% acumulada em 12 meses, embora inferior aos picos observados em 2022, ainda é superior à inflação geral de bens e serviços. Isso significa que a hotelaria, como setor intensivo em serviços e ativos físicos, continua a enfrentar uma erosão de margem que não está totalmente capturada pelos índices de inflação de consumo (IPCA). Gerentes financeiros devem, portanto, ajustar suas previsões de EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) para refletir a necessidade de reinvestimento contínuo no ativo. A comparação com o mesmo período de 2025, quando a inflação mensal era de 0,50%, indica uma melhora, mas o acumulado anual ainda exige cautela na alocação de liquidez.

Contexto Setorial e Comparação Internacional

Em termos de comparação histórica, o setor hoteleiro brasileiro vivencia um ciclo de normalização após a turbulência inflacionária de 2021 e 2022. Naquele período, o custo da construção civil subiu mais de 20% em 12 meses, forçando muitos hotéis a adiar projetos de capital e priorizar a manutenção corretiva. Hoje, com o Sinapi em 0,30% mensal, o setor observa um retorno à média histórica de longo prazo, que tende a ser mais próxima da inflação de serviços. Esse cenário é favorável para cadeias hoteleiras que possuem pipelines de expansão ou reforma, pois reduz o risco de estouro de orçamento, um dos principais fatores de cancelamento de projetos no setor.

Internacionalmente, a hotelaria global tem enfrentado desafios similares, com a inflação de construção civil nos Estados Unidos e na Europa também em trajetória de desaceleração, embora em patamares absolutos diferentes. A diferença no Brasil é a maior dependência de mão de obra local e a volatilidade cambial, que afeta o preço de insumos importados. A estabilidade recente do câmbio tem contribuído para a desaceleração do Sinapi, pois reduz o custo de materiais importados, como equipamentos de automação e revestimentos especiais. Para o setor, isso significa que a competitividade de hotéis brasileiros em mercados internacionais pode ser fortalecida, pois a estrutura de custos de operação tende a se estabilizar, permitindo uma precificação mais agressiva em plataformas de distribuição global.

Riscos e contrapontos permanecem, especialmente no que diz respeito à sustentabilidade da mão de obra. A alta de 0,33% na mão de obra, mesmo que menor que a de agosto, indica que o mercado de trabalho da construção civil ainda está apertado. Se a demanda por reformas hoteleiras aumentar simultaneamente em várias regiões, pode haver uma nova pressão sobre os salários dos profissionais, reavivando a inflação no segmento. Além disso, a variação regional do Sinapi pode ser significativamente diferente da média nacional, o que exige que gerentes de ativos locais utilizem dados regionais para suas decisões, e não apenas o índice nacional. A falta de granularidade nos dados divulgados pelo IBGE para o setor hoteleiro específico é uma limitação que a controladoria deve mitigar com benchmarks setoriais próprios.

O fechamento desta análise aponta para a necessidade de uma integração mais estreita entre as áreas de engenharia, controladoria e revenue. A desaceleração do Sinapi é um sinal positivo, mas não elimina a necessidade de uma gestão rigorosa de custos. O que observar adiante é a continuidade dessa trajetória de desaceleração nos próximos trimestres e o impacto na disponibilidade de crédito para investimentos em capital. Se a taxa de juros permanecer elevada, a capacidade de financiar reformas pode ser limitada, forçando os hotéis a usar caixa próprio, o que impacta diretamente a liquidez e a capacidade de investir em marketing e tecnologia. A monitorização do custo do metro quadrado e sua decomposição em materiais e mão de obra deve ser parte do dashboard mensal de gestão, permitindo ajustes ágeis na alocação de recursos e na estratégia de precificação. A hotelaria brasileira, ao se adaptar a esse novo normal de custos, pode consolidar uma base de ativos mais resiliente e competitiva no cenário pós-pandemia, desde que a gestão de capital seja executada com disciplina e visão de longo prazo.

Vídeo relacionado ao tema — YouTube

Fonte:valor.globo.com — ler notícia original.

Transparência editorial: reportagem produzida pela redação da The Contáveis. com apoio de ferramentas de inteligência artificial na sumarização e redação, e revisada editorialmente antes da publicação. O ângulo, a seleção de dados e o enquadramento para back-of-house hoteleiro são originais desta redação; todo material factual é atribuído à fonte primária citada acima. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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Editor responsável · Redação

Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.

273 matérias publicadasEsta matéria · 14 de outubro de 2026