Mudrah Eco Living abre 78 unidades na serra capixaba, ampliando oferta de hospedagem sustentável
O novo complexo de 78 apartamentos, localizado nas montanhas do Espírito Santo, chega com foco em turismo ecológico e promete impactar indicadores como RevPAR e ADR, ao mesmo tempo em que traz desafios de gestão de custos, integração de sis

O complexo Mudrah Eco Living inaugurou nesta semana 78 apartamentos na região das montanhas do Espírito Santo, marcando a primeira empreitada de grande porte voltada à hospitalidade sustentável no interior capixaba. A abertura surge num momento em que operadores de hotéis buscam combinar rentabilidade com responsabilidade ambiental, e o projeto traz à tona questões de forecast, GOPPAR e gestão de custos operacionais.
Um novo polo de turismo ecológico
Situado a cerca de 150 km da capital, o resort foi planejado para atrair tanto viajantes de negócios quanto turistas de lazer que priorizam experiências de contato com a natureza. Cada unidade foi construída com materiais de baixo impacto, energia solar fotovoltaica e sistemas de reaproveitamento de água, o que reduz consideravelmente o custo operacional de utilities. Segundo os desenvolvedores, a expectativa é que o complexo alcance um ADR (Average Daily Rate) acima da média regional nos primeiros 12 meses, impulsionado por pacotes de ancillaries como trilhas guiadas, spa com produtos orgânicos e gastronomia de fazenda a mesa.
A estratégia de pricing inclui tarifas flexíveis que variam conforme a ocupação prevista (forecast) e a sazonalidade do destino. Em períodos de alta demanda, o resort pretende aplicar um BAR (Base Average Rate) que reflita a escassez de inventário, enquanto em baixa temporada serão ofertados descontos via OTA e GDS para estimular o walk‑in e reduzir o índice de no‑show. Essa abordagem busca otimizar o RevPAR (Revenue per Available Room) e melhorar o ALOS (Average Length of Stay), indicadores críticos para o planejamento de cash‑flow em hotéis de porte médio.
Desafios de rentabilidade e operação em destinos de nicho
Apesar do apelo sustentável, a gestão de custos permanece um ponto sensível. O investimento em tecnologia verde eleva o CAPEX inicial, exigindo um plano de amortização que se reflita no GOPPAR (Gross Operating Profit per Available Room). Para equilibrar a conta, a administração aposta em um modelo híbrido de revenue management, combinando ferramentas de forecast automatizadas com a expertise de revenue managers locais. A integração ao PMS (Property Management System) será fundamental para monitorar a performance diária, permitindo ajustes rápidos de tarifas e promoções de upsell, como upgrades de quarto ou pacotes de atividades extras.
A presença de um night audit robusto também é vista como peça-chave para garantir a acuracidade dos relatórios financeiros, sobretudo em um empreendimento que lida com múltiplas fontes de receita – hospedagem, alimentação, eventos corporativos e serviços de bem‑estar. A equipe de controladoria pretende adotar o USALI (Uniform System of Accounts for the Lodging Industry) como referência para padronizar a contabilização de custos operacionais, facilitando comparações com benchmarks do setor.
O potencial de crescimento do Mudrah Eco Living está atrelado à capacidade de atrair viajantes internacionais e domésticos que valorizam a sustentabilidade. Para isso, o resort firmou parcerias com agências de viagens online (OTAs) que destacam a certificação ecológica do complexo, além de negociar tarifas corporativas com empresas que adotam políticas de viagens verdes. Essas alianças são vistas como forma de gerar demanda recorrente e melhorar a taxa de ocupação média (BAR), reduzindo a vulnerabilidade a flutuações sazonais.
Do ponto de vista da operação, a equipe de housekeeping adotou práticas de limpeza verde, utilizando produtos biodegradáveis e reduzindo o consumo de químicos. Essa mudança, embora benéfica para a imagem da marca, exige treinamento contínuo e monitoramento de indicadores de eficiência, como o tempo médio de limpeza por quarto (turn‑over time). A redução do tempo de turnaround impacta diretamente o BAR e o RevPAR, ao possibilitar maior rotatividade de hóspedes em períodos de pico.
A expectativa de retorno sobre investimento (ROI) está alinhada a um horizonte de cinco a sete anos, conforme projeções internas que consideram um crescimento anual de 8% no RevPAR e uma estabilização do ADR em torno de R$ 420 nas primeiras duas temporadas. Esses números são ambiciosos, mas sustentados por estudos de mercado que apontam uma demanda crescente por destinos de ecoturismo no Sudeste, especialmente entre millennials e famílias que buscam experiências autênticas.
Entretanto, a concorrência regional tem se intensificado, com novos empreendimentos surgindo em cidades vizinhas como Domingos Martins e Guarapari. Para se diferenciar, o Mudrah Eco Living aposta em um programa de fidelização que integra pontos acumulados em reservas diretas ao PMS, oferecendo benefícios como noites gratuitas, upgrades e acesso exclusivo a áreas de bem‑estar. Essa estratégia visa aumentar a taxa de retenção de clientes e melhorar a margem de contribuição dos ancillaries.
O cenário regulatório também exerce influência. Recentes alterações nas normas de licenciamento ambiental no Espírito Santo exigem relatórios periódicos de consumo de recursos naturais, o que pode gerar custos adicionais de compliance. A equipe de controladoria está preparando um plano de monitoramento que incorpora indicadores de sustentabilidade ao dashboard de performance financeira, permitindo que decisões estratégicas considerem tanto a rentabilidade quanto o impacto ambiental.
Ao observar o panorama futuro, analistas do setor apontam que a capacidade de adaptar rapidamente as estratégias de pricing e de integrar dados de mercado ao forecast será decisiva para o sucesso do Mudrah Eco Living. A consolidação de uma cultura de dados, aliada à busca por eficiência operacional e ao reforço de práticas sustentáveis, pode transformar o complexo em um case de referência para hotéis de médio porte que desejam alinhar crescimento econômico e responsabilidade ecológica.
Mark
Editor responsável · Redação
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Editor responsável pela The Contáveis. Acompanha o cotidiano de back-of-house hoteleiro há mais de uma década — auditoria noturna, controladoria e receita — e reescreve as matérias do dia com ângulo próprio para o mercado brasileiro. Todo conteúdo publicado é revisado editorialmente antes de ir ao ar. Fale direto: marlon@govbr.org.